A nova seção do brógue: vejamos até quando dura
Tô em casa direto; um meteoro renal tentou fazer um estrago em minhas vísceras urinárias, mas a equipe do dr. Luigi Golçalves (com "l" mesmo) foi rápida o bastante para impedir. Por conta dessa licença forçada, estou ajudando - dentro de minhas limitações - a Sandra em seus afazeres diários.
Foi uma semana agitada, depois de um carnaval modorrento, com chuva e comércio fechado. Mas meu rim e seus asteróides não são nada comparados ao impacto que tive ao saber que meu filhote JP vai ser submetido a uma cirurgia, em breve.
Apesar da literatura especializada documentar que seu problema é mais comum do que eu pensava, fiquei com aquela sensação de cabo de guarda-chuva na boca. Imediatamente, todos os meus problemas passaram a não ser nada. Nada mesmo. Mais uma vez, um filho meu vai encarar um centro cirúrgico ainda bebê (LC retirou as amigdalas aos três anos).
Bom, voltemos ao meu decúbito dorsal remunerado. Hoje, durante uma hora, fiquei com os três justamente no período em que LC e ME iriam jantar e o JP estava no auge de sua impaciência que, coincidência ou não, é sempre na hora da novela. Acho que algo no pessoal da Portelinha o incomoda bastante.
De qualquer forma, lá fui eu gerenciar a tropa, enquanto uma queria comida na boca, outro me questionando por que a sobremesa da casa acabara e o mais novo chorando no esquema "nada que você faça vai me acalmar". Além disso, o ato de mijar - sagrado e efêmero momento de prazer dos machos da espécie - tem sido para mim motivo de muita dor. Sandra argumenta que homem é tudo frouxo para dor, por isso Deus deixou o parto a cargo delas. Tudo bem. De qualquer forma, do alto de minha frouxidão, digo: dói pra caralho. E a filharada continua a reclamar.
Eis que a Sandra aparece para colocar ordem na casa, como um Mestre dos Magos de calcinha, e tudo entra nos eixos. Claro que três filhos e 6 anos de paternidade me deram certa experiência (acredite: não sou um pai dos piores), mas nada se compara à calma franciscana da mãe. Além disso, esporro dela funciona na molecada. O meu, provoca risos.
Enfim, estão sendo dias agitados. Que tendem a acalmar porque as aulas começarão semana que vem e eu volto ao batente, ou seja, a casa vai esvaziar. Claro que eu lembro dos problemas pelos quais estamos passando e que estão próximos de um fim. Contudo, lembro também de JP, de seu exame de risco cirúrgico, de tudo que ainda virá por aí e esses tais problemas somem da minha frente.
Tudo isso me abriu os olhos para algo que havia deixado para trás há tempos: a fé. E pensando no bem-estar da galera, tento recuperar o tempo perdido.
Um belo Domingo a todos nós.